21/03/2011

As Crianças Das Covas Parte 9

Deixou Katia na porta do hotel e caminhou pela estrada que levava para o cemitério, chegou perto do muro branco, ele podia ver a velho engenho dali, olhou para dentro do cemitério e notou                                            uma pequena casa a uns cinquenta metros, nesta casa tremulava uma luz amarelada, todo o resto eram covas e mais covas, Sílvio tocou as grades do cemitério e percebeu que mesmo na noite quente elas eram frias.
Tudo pelo que estava passando era um sonho, ver seu avó ser estrangulado por um menino esqueleto e depois começar a sonhar com esta figura, viajar por trés dias para o interior do Piauí para descobrir que seu avó tinha matado um irmão quando era garoto, descobrir que o hotel onde esta hospedado fora atacado por uma menina morta, estar parado na frente do cemitério mais horripilante do mundo e de repente levar um tremendo susto quando alguém surge do lado de dentro com um lampião na mão direita e puxando uma pá na esquerda.

17/03/2011

E que assim seja

Não existe mais hoje a importância de sentimentos alheios,

Talvez nunca tenha existido a importância maior com o próprio umbigo

Somos chamados de irmãos e tenho nojo do sangue que carrego.


Alguém nos deve desculpas pela condição em que estamos,

E tenho certeza que o pedido deveria vir dos céus,


Se todas as dúvidas fossem embora,

Desejaria eu segui-las pra fora desta terra


Afundem porcos, e se afoguem em sua cultura fanática,

Não procure um padrão e não me meça pelo passado alheio,

Não tente prever melhorias que eu não quero,

Muito menos me perguntar onde espero chegar com isso.

Eu não ligo para o seu diagnóstico infundado.


Jeff Araújo

13/03/2011

As Crianças Das Covas Parte 8

Quando a noite caiu saiu do hotel se arrependendo de ter prometido o que prometeu para Katia, andou pelas ruas mal iluminadas de Pedra vermelha sem entender o nome da cidade, ouviu de longe o povo se animando e cantando no bar de uma das ruas laterais, onde Fred tocava violão e cantava, passou tendo vontade de voltar ao hotel, como explicado por Katia virou uma rua antes de chegar a grande igreja e viu no fim da rua a construção da escola, uma casa muito grande com um muro baixo,tudo pertencia a Ignácio, chegou perto da portinhola e como já sabia estava aberta, olhou para trás e ninguém mais estava nas ruas, Sílvio era constantemente mordido por mosquitos, e abalado por fantasmas, andou pela lateral, tudo explicado por Katia depois virou a esquerda no canto do prédio e seguiu para os fundos.

28/02/2011

Boêmia: "Enquanto houver gelo hà esperança"


Saudações a todos os devoradores!
Afinal como começar uma coluna sem ser óbvio?
Talvez devesse apresentar o tema: cotidiano = poesia e boêmia.
A vida assim como toda poesia pode ser em verso ou prosa, ser feliz ou triste, explicar ou confundir. Seguido essa lógica, onde não há lógica, onde não há vida sem felicidade, a felicidade sem o amor, o amor sem poesia, a poesia sem o poeta, o poeta sem boemia, inicia-se a minha coluna semanal que nada mais é, que um papo de buteco*, sobre tudo isso e mais um pouco, regado a muita prosa, whisky e boemia.
A idéia de minha coluna é a de que há várias maneiras de se ver a vida, mas só vivendo-a é que faz sentido.
Talvez muita coisa pudesse ser diferente, e muita guerra fosse evitada, se ao invés da pistola ou da espada a palavra tivesse sido usada, para o bem do progresso, em prosa ou verso, num de buteco*. Mas chega de saudade, pois enquanto houver gelo hà esperança.
* A palavra boteco foi escrita buteco, pois creio ter melhor sonoridade e me usei da liberdade poética para grafá-la assim.

22/02/2011

As Crianças Das Covas parte 7

Viu um ônibus chegar na parada tinha ficado muito tempo embaixo da mangueira, o sol que já era quente começava agora a aquecer a sombra onde estava, se levantou e andou pela lateral da pista na direção da parada de ônibus, viu muitas pessoas descendo para comer, usar o banheiro e etc... mais não viu nem uma mala ser retirada do bagageiro, pessoas como ele que vinham e ficavam naquele fim de mundo deveriam ser realmente raras, atravessou a avenida passando pela frente do ônibus, subiu os longos trés degraus do grande bar/restaurante e entrou, quase todas a mesa ocupadas, pessoas indo e vindo do banheiro pedindo no balcão para os trés funcionários, sentou-se em uma mesa perto do balção e ficou esperando sua vez de ser atendido.
Quando finalmente o garçom chegou nele ele pediu o prato do dia e comeu tudo, seu estomago já estava se acostumando com a comida forte do nordeste, em vinte minutos as pessoas começaram a ir embora depois de pagar a conta, entraram no ônibus e este partiu.
- Ei amigo? Perguntou um homem gordo e grande enquanto os outros dois jovens entravam para a cozinha.  -Você não veio naquele ônibus?
- Não. - respondeu Sílvio terminando tudo que estava em seu prato. - Estou de visita na cidade. - o rosto do homem se iluminou, passou pela portinha do balcão e se aproximou da mesa de Sílvio, tocou um cadeira e perguntou.
- Posso? Com uma aceno de cabeça e apontando o dedo para a cadeira Sílvio fez que sim e já sabia qual era a primeira pergunta, então você e o forasteiro.
- Então você e forasteiro? - na mosca. - E o neto do velho Tomas?
- Sim sou eu. - Sílvio abaixou a cabeça para o prato, o choque de saber que seu avô tinha matado alguém ainda lhe perturbava.
- Você parece cansado companheiro, esta no hotel de Maria não é? Mais um aceno de cabeça. - Bebe uma cerveja comigo?
- Claro porque não? - o homem se levantou apresadamente, apanhou o pano de seu ombro antes que esta caísse no chão, voltou em menos de um minuto com uma garrafa e dois copos, encheu um e deu a Sílvio. - beba e por conta da casa, me diga tem conseguido dormir a noite?
Sílvio olhou estranhamente para o homem sera que ele sabia do comportamento de Dona Maria, sera que ela fazia aquilo com todos o visitantes?
- Sim porque?

20/02/2011

A difícil arte de amar

Boa tarde a todos! Hoje temos um texto especial enviado por Veronica Soares no qual temos o prazer de postar em nossa casa! Apreciem os sentimentos expressados nestas linhas.


 A difícil arte de amar

Os tolos julgam o amor só pelas letras contidas  nele,
e se esquece que na arte de amar o nome a qual se da
a este sentimento tão maluco e rico de emoções o
que menos importa são as letras o tema de uma redação.


O amor vai além de uma alma solitária que o busca desesperadamente,
ele é uma vaga aberta num hotel sem rumo numa estrada
sem parada, que a muitos assusta e  a outros tantos enchem os olhos.
é um cavalheiro e uma dama e um feliz e um triste em um só.


Eis ai o amor algo de tanto questionamento mais que sua beleza
quando e vista em sua face plena e um  sopro de ar que enche
um pulmão vazio de ar tão sublime que o corpo parece flutuar em
nuvens de fumaças que se desfazem em gotas de  alegria.


Veronica Soares

16/02/2011

Só um monte de bosta!!!

Nunca pensei que fosse sentir algo tão forte assim, em minha cabeça jamais havia passado se quer um ensaio de que algum dia tal poder invadiria meu peito e me faria proferir tais palavras que tem sua beleza particular quando eu digo: Que porra de vida de merda!!!

Eu não quero saber se você realmente liga pra um Deus e se você realmente reza pra ele ou se só promove essa desgraça no Orkut e entra em comunidades pra falar que é cristão a ponto de ser mais bem visto no pequeno círculo de acéfalos coloridos que te rodeia, eu realmente gostaria de poder crer em algo que EU escolhi sem problema algum e ter com quem discutir isso sério, mas eu procuro em minha geração, procuro pelo que seriam meus “irmãos” e esses putos semi-analfabetos só podem responder com certeza “quantas vadias pegaram na última balada”. Porra, meu irmão mal sabe ler e ele se tornará “apto a responder por si próprio legalmente” ainda este ano. Meus pais trabalharam por um bom tempo em dois empregos cada um deles, e por meses já sobrevivemos com grana literalmente arrancada do lixo. Muita gente olha pra isso e diz calma serenamente “graças a Deus vocês tem uma vida melhor”. Puta que pariu!!! O criador dessa mesma graça que não deixou meu pai me matar fome, agraciou mais de TREZEZENTAS E DEZESSEIS MIL pessoas num terremoto que completou um ano no mês passado, e ninguém se recorda nem ao menos a nação desses pobres coitados, agora o caralho do traveco que confinaram naquela porra de programa escroto da Globo todo mundo lembra o nome. Antes que venham me dizer que estou “revoltadinho” com seu DEUS, pare e pense que não foi ele que te criou, não foi ele quem desceu e contou toda a história, e sim alguém que já estava aqui e disse que ele quem fez tudo isso, minha revolta não é com Ele, minha revolta é contra você, é contra quem não tem coragem de contestar o fato de que a cueca de rendinha do papa é bordada a ouro enquanto nós temos que fazer hora extra todas as semanas se quisermos em poucos momentos do mês tem um pouco de diversão, que aliás, hoje se tornou tão obrigatório o fato de se divertir que quando fazemos é de uma maneira tão forçada e não espontânea que ao acabar nem ao menos nos damos conta de ter começado e tudo que mais queremos fazer, é descansar em frente a televisão e alguns preferem fazer isso assistindo a missa.

Não dou “graças a Deus” e muito menos quero que você me diga, não ligo pro que você pensa em relação a isso, pois muito provavelmente sua opinião de merda vem de uma cabeça condicionada a TEMER, a sentir MEDO, de algo que você não conhece e não sabe explicar e não quer procurar o porquê disso. Não culpo você por isso, eu mesmo estou condicionado a fazer várias coisas que contribuirão para meu fim prematuro, porém eu tenho a total noção da velocidade em que eu avanço pra um abismo, e mesmo assim consigo entender e apreciar a paisagem pútrida dos ventres alimentados pelo crack, que irão nalgum dia de sol extremamente quente parir o ladrão que matará meu neto num assalto no semáforo. Se essa merda dessa cor amarela significa realmente as riquezas, cadê minha parte? “Cadê minha fração?” Como já perguntaram antes. Não quero ter meu nome na história, não sozinho, não sem um povo ombro a ombro marchando nas ruas pra derrubar de uma vez o verdadeiro mal. Não quero ser um herói da nação, muito menos salvador da pátria, por que em minha preconceituosa opinião, a “PÁTRIA” é uma instituição falida que só serve pra fazer beleza em filmes que retratam a poesia de se morrer por algo e fazer vender anarquia. Lutar pela terra em que se vive é papo pra recrutar parte dos acéfalos coloridos que preferem o verde e tem um pouco mais de raiva que os outros. Não importa o que eu diga, não importa o que eu fale, escreva ou publique, como eu já disse antes, a velocidade em que o abismo se aproxima só tende a aumentar, e ninguém perceberá a tempo de fazer a curva, os filhos dos que sabem, pulam pra um vagão atrás e engordam enquanto a massa cai. E por mais que eu queira fazer algo, não consigo nada tão efetivo quanto encher estas laudas de merda, que muito obviamente mereciam ser esfregadas no rabo de quem não as compreendem.