PRIMEIRA PARTE
Estou velho agora, pelo menos meu corpo está, porque dizem que a alma é eterna, até mesmo a alma de um bruxo, ou pelo menos alguém que nasceu para ser um bruxo, que estudou para ser um bruxo mais que desistiu depois de um acontecimento envolvendo a mim e o meu primo, éramos treinados pelo meu pai e tio dele para sermos grandes bruxos, mais depois do acontecimento que aleijou meu primo eu quis parar e não adiantou meu pai dizer que eu tinha sofrido um trauma e que iria superar, isso já faz pelo menos quarenta anos, eu ainda tenho alguns poderes e realizo alguns truques de magia mais são truques de salão, muito fracos, diferentes dos grandes poderes de meu pai e do pai dele antes dele, se transformavam em ratos e águias, faziam um dia de sol se tornar um dia de neve, entre outras coisas espetaculares, meu maior truque é deslocar um copo de um lugar para outro, tele-transporte, fazia isso com animais mais eles morriam depois do transporte o que me fazia lembrar como meu primo saiu da caixa preta.
Voltou a morar com os pais depois que estes decidiram por ele que ele não deveria mais se meter com magia, e mesmo em uma cadeira de rodas meu primo lutou para ficar, mas no fim foi levado para longe de meu pai e da ordem dos bruxos a qual pertencíamos, no entanto o aleijamento causado pela mágica errada não foi a única desgraça na vida do meu primo, sua família começou a ficar doente, e a morrer um a um, até que em fim ele ficou sem ter para onde ir e veio morar comigo, as vezes olho para ele sentado na cadeira de rodas e olhando para o jardim e me lembro de quando ele era criança e corria por este mesmo lugar, e por uma tolice de criança acabamos nesta situação. Eu um mágico decadente e ele um cadeirante deste sem vida alguma.
Nunca culpei meu pai e acho que o primo também não, pois ele sempre dizia para nós:
- Pedro. - e para meu primo. - Paulo, vocês vão aprender tudo no seu tempo, podem fazer as perguntas que quiserem que eu vejo se posso responder, mais nunca façam nada que não tenham certeza que possam controlar, a biblioteca ficará trancada pois tem muitos livros lá que seriam perigosos nas mãos de vocês, por enquanto são aprendizes e assim deverão agir, bem, vamos começar com a aula de hoje vou ensinar vocês a fazer a coisas virarem outras.
- Como quando o senhor transformou o carrinho de mão em um cortador de grama? Perguntei eu, o pequeno menino moreno, e meu primo loiro e um pouco mais alto que eu sorriu lembrando-se do acontecido.
-Sim mais em um nível mais fraco tudo bem. - meu grande pai era um homem alto demais de barba branca e olhos claros que era conhecido por toda família como um grande bruxo bom, a mãe de meu primo se alegrou tanto quando ele quis ensinar a nós dois, todos na família eram participantes da mesma religião bruxa mais poucos tinham poderes como os do meu pai e como os que era para eu e Paulo ter.
Às vezes depois de alguns meses eu sentia falta de Paulo, e era sempre quando meu pai não estava em casa, ele sumia na grande mansão e demorava a aparecer, estaria ele usando algum feitiço de invisibilidade? Eu procurava e procurava e não o achava, por duas vezes o vi saindo do escritório do meu pai, olhos contentes sorriso nos lábios, olhava de um lado para o outro e eu atrás da mesa de jantar o vi correr me chamando.
Esperei que ele sumisse outra vez, e sabia que isso só aconteceria quando meu pai saísse, então ele disse que iria comprar alguns ingredientes para uma poção nova, andei pela casa lendo um livro de bruxaria para adolescentes quando me dei conta que Paulo não estava em lugar algum, fui direto para o escritório do meu pai, e fiquei debaixo da mesa dele para ver o que acontecia, ainda bem que não precisei esperar muito porque tinha medo de meu pai chegar e me achar ali.
Ouvi algo se movimentar, olhei e notei uma das estantes de livro se movendo, era uma porta, e desta porta saiu Paulo como era de se esperar...
- Paulo o que é isso? Gritei saindo de onde estava e dando um susto no meu primo.
- Droga Pedro, pensei que fosse o tio. - disse olhando para a prateleira puxando um livro e antes de tirá-lo da prateleira recolocou ele no lugar e depois disso a porta feita da estante fechou-se e eu pude ver um corredor atrás da porta.
- O que isso? Perguntei querendo sair logo dali.
- E a passagem para biblioteca. - disse sorrindo um pouco. - Fiquei espiando seu pai para ver como entrar na sala mais ele nunca destrancava aquela porta, o único lugar que ele sempre vinha era paro o escritório, você nunca notou isso.
- Não. - disse ficando um pouco irritado comigo mesmo por nunca prestar atenção nos hábitos de meu pai.
- Então, eu o espiei pela janela e vi-o entrar por esta porta, entrei a noite quando vocês e os empregados estavam dormindo, e lá estava, vinha a noite mais depois achei melhor não entrar mais quando ele estivesse em casa.
- Se ele te pegar lá dentro vai te mandar de volta para sua casa. - eu disse saindo andando e ele foi me seguindo e tentando argumentar.
- Pedro, você não pode contar para ele, escuta. - passou na minha frente e me parou com as mãos. - Não somos aprendizes de bruxos, eu só estava lendo e mais nada, eu juro não fiz nada de errado.
- Eu não sei meu pai disse que tem coisas...
- Eu sei que não e bom saber mais também disse que não há tesouro maior que o conhecimento, é isso eu só leio os livros que estão lá. - respirei fundo e perguntei deixando ser levado pela curiosidade.
- O que mais tem lá?
- Muitas coisas, varinhas, vassouras, dois caldeirões, e uma caixa de magia grande... e fomos andando enquanto ele me contava tudo que tinha visto lá dentro, e não demorou muito para eu mesmo me aventurar pela biblioteca, mais isso não foi o pior que aconteceu o pior estava por vim quando um dia meu primo entrou no meu quarto assim que amanheceu e me disse:
- Primo tem um ritual que podemos fazer.
- Há não nem pensar. - Disse me sentando na cama. - Não quero chamar dragões nem conversar com fantasmas isso tudo e perigoso demais.
- Não primo, é uma coisa bem simples. - disse ele enquanto eu trocava de roupas, não queria ouvir ele, tinha muito medo, já tinha visto alguns rituais de meu pai que deram errado, via atrás das portas e não queria ter que enfrentar os mesmo demônios, raios, sombras e fantasmas.
- Não, Paulo eu não quero.
- Bom eu vou fazer hoje a noite, já que o tio vai para aquela festa e só volta pela manha, você pode ir ou não.
- Posso contar para meu pai, - eu disse vendo ele parar na porta do meu quarto antes de sair.
- Pode contar, eu não quero viver aqui se não puder ser um grande bruxo, e o que estou tentando ser o maior. - antes eu tivesse contando para meu pai, Paulo saiu do quarto e eu não disse nada , mais tarde eu estava parado na porta secreta depois de meu pai sair, sabendo que meu primo estava lá dentro.
continua....