31/08/2010

Folhagem


De onde veio,

o seu rosto no muro

com legenda e tudo?

De onde anseio

o posto do absurdo

com o claro no escuro?


O romance joga a primavera

com os troncos e as raízes

Este que é o senhor de terno farrapo.

Mistério sinestésico.


Eu perguntava o que havia em seus olhos

Eu não ouvia o que saía da sua boca

Tudo isso é um "sempre estou aqui"

Flutuando em névoa para mim


E você o que verá?

A realidade na face da televisão

Sombras de certas portas que se abrem

Todas num só canal


Os braços formam uma alavanca

podemos vê-la beijar a lona

Sou o meu doutor e a epidemia da cidade

Em pânico na janela, em castidade


Sem você não vou

Porque quero ter o céu no limbo

Eu não preciso convencê-la de nada

Já esfregou a palma das mãos


Tudo, todo mundo

Apenas encostando

o pé no muro


O metal pesado sob o céu vermelho

Alambrado de relâmpagos e breu

Oh sim, vamos para o show

Ouvir, sentindo devagar...


... na coxia o diabo manso

beija os pés do céu

E num breve acalanto

Sonoros corações em guerra...

30/08/2010

007 - H. P. Lovecraft


Bem vindos sejam Devoradores!!

Hoje Marcos "O Gênio do Mal", Leonardo, Jeff Araújo e Erik Luthor enfrentam o medo dos pesadelos mais sombrios na profunda escuridão dos abismos colossais da loucura que inundaram a mente do criador dos Mitos de Cthulhu: H. P. Lovecraft.
Saiba um pouco da história desse grande autor e aprenda um pouco sobre sua obra nesse podcast maluco. E lembre-se: "Até mesmo Cthulhu pode escorregar..."


Recomendamos:
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Para ver no YouTube:


Tempo de duração: 69 min.




25/08/2010

TERROR EM CENA parte 6

A PORTA DO INFERNO

Paula acordou sentindo falta de Cassiano e ainda por cima no escuro, por onde andava o amor de sua vida? Ao longo dos anos ela tinha aprendido que os homens simplesmente lhe deixavam, e naquele momento acordando sozinha ela pensou que Cassiano tinha lhe abandonado, como seu pai que morreu quando ela era criança, como seu primo que... bem que lhe beijou a boca quando eles eram crianças e depois de grande não quis mais lhe namorar por descobrir um outro amor, como seu primeiro namorado que lhe traiu com metade da sala de aula, e seu segundo que morreu em um acidente de carro.
Por longos anos não quis se envolver com homem nem um mais um dia Cassiano entrou em sua vida, falante e confiante contava estorias de grandes feitos e sempre se oferecia para resolver problemas como privadas entupidas, TVs que não funcionavam e etc.. se apaixonou e depois disso como por magica ele pediu para ficar com ela, firmaram namoro e seu maior medo era perde-lo como perdeu os outros, se perdesse mais alguém sentiria tanta dor que era melhor simplesmente morrer.
Sentou-se na cama olhando em volta, a pouca luz que entrava vinha da janela a frente da cama, esta noite foi a terceira fez que fizeram amor sem proteção e por culpa dela; claro, Paula andava sumindo com os preservativos para poder engravidar e amarrar seu homem para sempre, não queria mais perder ninguém, se levantou sentindo o chão frio nos pés, andou até a porta imaginando o que Cassiano poderia esta fazendo? Estaria com outra mulher? não as belas coisas que ele lhe dizia eram sinceras deveria ter ido ao banheiro ou algo do gênero.
Puxou a porta, enquanto ela fazia aquele barulho de metal velho rangendo, enquanto abria para sair percebeu o obvio. - As luzes. - falou em um tom muito baixo, claro Cassiano estaria religando o gerador, com um sorriso no rosto saiu no corredor querendo ir atrás do namorado então seu sorriu se desfez...
Parada no meio do corredor tinha uma menina de cabelos cumpridos e soltos, parecia tentar desgrudar algo de seu peito, seus braços se movimentavam tentando tirar algo que lhe incomodava mais com ela de costas não dava para ver o que era.
Também não dava para saber quem era, andou devagar para perto da mulher e falou baixinho. - Algum problema?
A mulher se virou segurando algo que carregava, ela tinha uma cara branca olhos fundos e lagrimosos, uma boca aberta que salivava constantemente, Paula viu o que lhe atormentava, enfiado em seu estomago tinha uma cabeça ligado a ela o corpo de uma criança pendia para frente apoiando no chão, a criança tentava desprender a cabeça do buraco.
- O Alimentador. - disse a mulher e Paula sentiu arrepios por todo o corpo, tinha tanta dor nas palavras da mulher, tinha tanto medo que Paula sentiu como se mil abelhas lhe aferroassem o coração, como se estivesse pisando e mil serpentes, deu um passo para trás enquanto quadro pés deram um passo para frente, a mulher empurrava a cabeça tentando tirar o corpo de dentro de seu ventre, e ao mesmo tempo o menino tentava puxar, parecia um cão tentando se solta de uma coleira, Paula tremia e sentia uma lagrima nascer em seu rosto, Aquilo era medonho demais mais para ela, macabro demais era o pior pesadelo de todo a sua vida e onde estava Cassiano para lhe salvar? olhou por cima do ombro e viu a janela, uma chance, não queria entrar em nem um quarto e ficar encurralada, então no alto de sua loucura correu para a janela. - Cassiano vai me salva” pensou ela “ele vai estar la embaixo com os braços prontos para me pegar” atravessou o vidro da janela e começou a cair com os braços cortados pelo vidro, o chão esta bem próximo, e quando já ia tocando o solo e com certeza quebrar alguns ossos um buraco se abriu...
Um grande buraco... como um poço, no entanto parecia uma fornalha onde Paula caiu vendo a casa maligna se distanciar e ficar pequena no alto, ouviu murmúrios no fundo, lamentos e gemidos... um clarão vermelho um buraco em chamas, rissos que assombravam o coração, sons de chicote gritos de dor, Paula sumiu e o buraco se fechou bem no momento que ela gritaria por Cassiano.

continua em breve...

22/08/2010

Sobre a existência do nada


Quando sinto o aroma das flores
pranteando o furor da aurora
imagino qual dor de outrora
geraria tal fonte de horrores

O vento passa por minha cabeça
sem que nunca precise enxergá-lo
Nem tampouco eu preciso toca-lo
para saber de sua presença

Mais leve que o ardor do relento
é o beijo da noite sombria
trazendo forte meu contentamento

Pode até dizer que não existe
mas olhando paro o céu azulado
sua alma nesta idéia insiste

17/08/2010

Neve Escarlate em Áudio


Bom dia Devoradores!

Seguindo a linha de audio contos eu, num momento de extrema ociosidade, decidi me aventurar neste caminho. Como primeiro trabalho escolhi o conto: Neve Escarlate

Segue abaixo, o "experimento" de hoje.




Para quem quiser ler aí vai o link do texto:


Aplaudam-me ou crucifiquem-me!! \o

Obrigado!!

Leonardo Rodrigues

TERROR EM CENA parte 5

QUERENDO SER LIVRE

Anne estava dormindo profundamente e tendo pesadelos horríveis com um trauma de infância, Fabrício estava pesquisando na internet sobre o simbolo do Alimentador, alheio que trés quartos a direita Elem e Clarice acabavam de ser mortas e que cinco minutos depois Arthur seria morto no sotam, Mateus andava pela casa procurando ideias caçando fantasmas, Paula dormia no colo de Cassiano que estava acordado olhando para a lampada amarelada no teto de madeira.
Pensava profundamente, falava muitas coisas bonitas para Paula, mais na verdade queria acabar com o namoro, estava muito afim de ir em festas de viver uma vida diferente, não queria mais ir na casa de Paula a noite e ouvir seu pai falando sobre como era difícil manter uma família com pouco dinheiro, queria conhecer outras mulheres, queria acabar com o namoro e quem sabe deixar o caminho livre para Arthur, mais em fim não sabia como dizer para ela que não queria mais.
Olhava para a lampada se sentindo mal, não era um homem sem escrúpulos e não queria mais.... a luz piscou.... não queria mais fingir... a luz piscou outra vez e se apagou... droga, pensou ele tirando o braço de Paula de cima de seu peito nu, ficou em pé e se vestiu sentindo o frio entrando pela janela que formava o segundo olho do rosto casa, andou de meia ate a porta e abriu devagar não querendo acordar paula que provavelmente iria querer ir com ela, as vezes era bom fica sozinho.
Fabrício viu a luz se apagar mais não ligou, tinha encontrado o sinal do Alimentador e com isso uma surpresa grande, Anne não notou a falta de luz e Mateus adorou ficar sentado no escuro na cozinha montando um quadro para seu texto.
Cassiano andou devagar pelo corredor sabendo que ninguém iria querer descer para religar a maquina de energia, virou para a escada e desceu, andou devagar ouvindo os degraus rangerem embaixo de seus pés, chegou na sala e não notou Mateus sentando no escuro, andou para a porta pensando em como terminar com Paula e isso começava a lhe dar uma dor de cabeça irritante, puxou a porta e saiu para o tempo frio, céu escuro muro de plantas e folhas mortas, desceu as trés escadas e olhou para trás para a casa sombria, lá em cima Paula dormia e talvez sentisse falta dele.
Andou para a direita e depois para a direita novamente no canto da casa, em sua cabeça uma única pergunta, como terminar com paula e terminar logo, não queria mais fingir que gostava dela, chegou ao quintal no fundo e pode ver antes de descer perto do gerador a cidade lá embaixo por cima do muro brilhante e sonolenta, uma porção de luzes acessas e na quela casa a escuridão reinava.
Como terminar com Paula? A dor de cabeça piorava e Cassiano teve que se sentar em uma toco e levar as mãos a cabeça, como Terminar? Não tinha ideia não queria magoar ninguém, pensou ver alguém no alto da casa em uma janela olhando para ele quanto olhou para o alto a sombra magra se escondeu. “Idiotas” queria fazer a dor de cabeça passar, se levantou e apanhou o machado, começou a corta lenha para espantar o frio, cortou uma tora ao meio e deixou os pedaços caídos no chão, continuou cortando sentindo a dor aumentar cada fez que se lembrava que teria que voltar para o quarto e deita com uma mulher que não amava.
Cortou mais madeira mais a dor não passava só aumentava, esqueceu do gerador, esqueceu-se das pessoas na casa só se lembrava de Paula enquanto sua dor subia nas escalas, parou de cortar, estava suando e tremendo de frio...
Como?
Deixou o machado balançar entre suas pernas em movimentos rápidos e firmes, um pendulo mortal que ia e vinha cada fez mais rápido...
Como terminar...
Balançava o machado imaginando uma solução para a dor, e que dor estranha que nunca tinha sentindo, sentia mãos apertando seu cérebro e aumentando suas duvidas, empregou força total no machado e deixou ele subir dando solução ao seu problema...
Pergunta:
Como termina com Paula sem magoa-la....
O machado acertou o meio de sua testa, suas mãos penderam frouxas ao lado do corpo e um fio de sangue fino desceu entres os olhos indo direto para os lábios, caiu de joelhos e o corpo tombou para frente mais o cabo do machado impediu que o corpo caísse, o corpo ficou apoiado nos joelhos e no machado que estava fincando cinquenta centímetros no cranio de Cassiano, olhos revirados para o alto boca aberta e um grito que nunca foi solto...
Resposta:
Morrendo...

continue lendo..

09/08/2010

Engrenagens tortas

Pois assim deverá ser,
até o crepúsculo da humanidade,
devemos encarar os fatos e
aceitar a morte em nossas mãos.

não passamos de engrenagens,
lubrificadas a sangue e lágrimas,
num briquedo quebrado,
largado no quintal de Deus.

O que nos resta é contentar-nos,
com os poucos risos que temos,
que por momento nos fazem esquecer
a câncer que causamos,
prematuramente aos filhos de nossa raça.

Pois assim deverá ser,
até o crepúsculo da humanidade,
devemos encarar os fatos e
aceitar a morte em nossas mãos.

devemos encarar os fatos e
aceitar a morte dos irmãos.

MEDO DO CÉU



Para Erik Luthor pelo agradavel desafio


Antes que eu comesse preciso que você faça um favor para mim, olhe se puder, se não estiver em local aberto quero que você imagine um céu durante a noite, um céu sem estrelas um local escuro e frio se você prestar atenção ira notar que todo o céu parece ser um grande buraco onde a qualquer momento você pode cair, imagine que nada te segura a terra e que na verdade você esta de ponta cabeça e este céu e um grande e imenso buraco...

O que eu escrevo agora eu só faço porque sei que a morte esta prestes a mi encontrar estou velho, cansado e frágil, m desculpem se não tenho as explicações só os fatos.

Com esta carta pretendo responder algumas perguntas de meus filhos e netos, cinco filhos e quinze netos e as perguntam eram, porque o vovô nunca sai de casa? Porque o pai nunca olhar para o céu, ele não gosta de por do sol? Não eu não aguentava olhar o por do sol a não ser que este fosse visto por foto, eu sempre tremia incontrolavelmente em campos abertos, eu nunca saia a noite com medo daquele imenso buraco sobre minha cabeça, e só morava e casas de teto baixo.

E isso tudo começou quando eu era criança e meus irmãos muito mais velhos que eu viviam estudando, meu único amigo era Ícaro um menino gordinho que provavelmente nunca teria uma namorada no colegial, nesta época eu soltava Pipa como qualquer criança de treze anos coisa que nunca mais eu faria depois, eu caçava pássaros eu corria em campos abertos e adorava ficar a noite brincando de pega-pega na rua, então em uma noite de sono comum eu tive um pesadelo horrível e todas as sensações que eu tive no pesadelo continuei tendo por pelo menos uma semana depois do sonho ruim.

No sonho eu estava em um campo aberta mais me via de fora como seu meus olhos fossem uma câmera gravando a cena, então eu me sentia tonto e cambaleava, depois um enjoo profundo me atacava e fazia meu estomago revirar, cheguei a vomitar com as contrações intestinais então a pior, parte veio o dia que era claro se tornou uma noite escura digna de filmes de terror, de meu nariz começou a verter sangue e este sangue não pingou no chão pelo contrario flutuou, subiu suxando um pouco de meus cabelos e continuou indo para cima então todo o mal-estar piorou e meu corpo foi arrebatado por um força estranha indo para a escuridão da noite, mais não era bem um arrebatamento era mais como uma queda.. acordei no chão do quarto, angustiado, me sentia sufocado e com medo, comecei a ter medo de cair fora da terra já nesta época

O que conto só conto agora porque queria nunca ter que repetir esta estoria outra vez mais agora que escrevo e sinto as lagrimas rolarem por meu rosto me sinto aliviado tão leve que poderia voar se eu não tivesse medo de aviões e aparelhos que me fazem ficar mais a beira do buraco.

Bem para piorar a situação meu melhor amigo Ícaro me disse um dia depois de um belo banho em um represa que seu maior sonho era “voar” tinha visto um filme na TV no qual um menino voava, e tinha também o Peter Pan e todos os outros personagens que podiam voar eu quis mudar de assunto pois o pesadelo ainda estava muito fresco em minha mente, a duras penas passamos a falar das meninas de nossa escola mais no dia seguinte Ícaro mais uma vez me veio com o mesmo sonho, contou inclusive que tinha subido no telhado da casa dele e imaginado que estava voando, naquele mesmo dia quando estava chegando em casa olhei para o telhado da casa de Ícaro mais ao ver o céu azul sem nuvens senti minhas pernas tremerem ao lembrar do pesadelo.

Eu não entendia aquele medo, achava mesmo que a qualquer momento poderia cair, quis conversar com meu Pai sobre o assunto mais ele estava muito ocupado com a venda de uma casa posto que era corretor de imoveis, minha mãe era religiosa demais para entender meu medo no minimo mandaria eu rezar, meus irmãos estavam sempre as voltas com a escola, garotas e festas, cinco irmãos eu tinha e nem um amigo dentro de casa, e meu único e verdadeiro amigo que certa vez me salvou de uma turma de valentões dando inicio a nossa amizade não poderia me ouvir pois se eu tinha medo do céu ele era apaixonado por ele.

Me mostrou aviões de brinquedo os quais ignorei, me chamou para ver seu pássaro novo e eu inventei alguma desculpa da qual não me lembro, e mais uma vez tive aquele terrível pesadelo, eu andando em um campo aberto, as dores o sangue e a queda para o infinito, senti frio mais não o frio que se senti no inverno era um frio que era causado pela solidão e só a solidão do espaço pode calçar este frio, embora eu não visse o céu como um espaço aberto via o mais como um buraco fundo.

Rezei na igreja junto a minha mãe para aquele medo passar, evitei as brincadeiras de imaginar que formas as nuvens tinham, e a única forma que eu tinha de olhar para o céu era através da água, em um bacia ou lago nunca olhava para o alto senti-a como no sonho meu corpo descolar do chão.

Mais uma vez Ícaro me veio falar de seu sonho de voar de estudar para ser capitão e desta vez eu fiz ele para antes que continuasse, disse eu “Por favor Ícaro você e meu grande amigo mais não quero mais ouvir você falar de voar ou qualquer coisa relacionado com o céu” ele me perguntou porque e eu não quis explicar apenas não queria falar sobre aquele assunto e quando eu disse isso a ele ele aceitou e parou, mudamos de assunto e conseguimos manter nossa amizade.

O pesadelo me veio mais uma vez e de tão forte me levou ao hospital com um ataque mental forte, e a partir dai comecei a tomar remédios controlados e a visitar mensalmente um medico que sempre me perguntava o que eu tinha, que medos eu tinha mais eu tinha vergonha daquilo, eu simplesmente não sabia porque aqueles pesadelos sempre voltavam.

Pois bem falando ou não do assunto um dia o pesadelo não veio mais, e tanto tempo fiquei sem ele que esqueci e aos poucos começava a olhar para o céu com alegria... era realmente lindo o céu azul.

No dia em que perdi minha sanidade por completo, e agradeço a deus profundamente por ter me enviado uma mulher que soube que eu tinha problemas e me ajudou e cuidou de mim por longos anos de sua vida ate morrer no ano passado sem nem uma dor apenas morreu dormindo. Bem neste dia estava eu alegremente em um campo de futebol vazio chutando ao gol e meu companheiro Ícaro era o goleiro, vários gols pois o mal condicionado Ícaro era ruim no futebol, muito ruim, paramos com a brincadeira e pegamos os chinelos para irmos para casa naquele dia ele iria almoçar em minha casa, desculpem esqueci de comentar que Ícaro era primo da avó e mãe de vocês e...

….............


Comecei esta carta ontem mais a lagrimas me subiram a garganta e me embaçaram os olhos não pude escrever mais e tive medo de morrer durante a noite sem poder contar o fim de minha estoria, ontem sonhei com minha queria ela me esperava no céu, outro céu não aquele que me causava arrepios noturnos, onde eu estava? Bem eu e Ícaro estávamos indo embora quando em meio a conversa alegre ele me disse, “Ontem eu sonhei que voava” parei na ora e olhei para o céu sentindo todo o medo de antes como se aquilo fosse acontecer naquele momento, arrepios em um dia quente, o sonho!!! deus eu estava em um campo aberto igual ao do meu sonho, briguei com Ícaro falando que ele tinha quebrado nosso trato e sai andando, ele pediu desculpas dizendo que tinha esquecido e eu mesmo poderia ter esquecido um trato tão bobo como aquele, nunca falar do céu!!! andando me sentindo deprimido e desprotegido, maldito pesadelo eu iria contar ao medico quem sabe ele poderia me ajudar eu queria ser normal.

Ouvi um lamento dele então me virei, estava parado a dez passos de mim, estava com a mão na barriga suava muito, perguntei o que ele tinha e ele me disse que estava ruim do estomago, Por deus era meu pesadelo... andei na direção de Ícaro controlado por um impulso, parei quando ele abriu a boca e soltou uma mistura verde e espessa, pode ver pedaços de carne em meio ao seu vomito e gotas de sangue, chamei por ele mais minha voz não saiu, ele me olhou com olhos vermelhos a boca suja daquela mistura verde, andou esticando a mão para mim meio cambaleando, vomitou outra vez, estava agora com mais sangue em meio a mistura estava sofrendo, seu nariz começou a sangrar violentamente como eu nunca vi nem um ser humano sangrar antes nem depois deste dia mais o sangue não caia no solo ele flutuava....flutuava... eu lembro desta cena como se fosse um filme passado em câmera lenta... flutuava... então tombou para frente e por um momento eu mi vi acordando daquele sonho imaginando ele tombar pesadamente no chão , mais não foi isso que aconteceu.

Seus pés ergueram e ele subiu rapidamente enquanto seu corpo girava indo para o alto como se estive caindo no maior buraco do mundo, gritei com a mão estendida para o alto e vi seu corpo sumir entre as nuvens junto com inúmeras bolhas vermelhas... Ícaro tinha sumido para sempre meu pesadelo nada mais era que uma visão do futuro, gritei enquanto lagrimas e suor nascia de meu corpo.

Se vocês não acreditam na carta que eu vou pedir para meu enfermeiro entregar depois que eu morrer procure em meu quarto fora deste hospital e acharam no guarda-roupas as reportagens sobre o sumisse de Ícaro e como seu amigo foi internado com sinais de estéria, na reportagem dizia que o menino provavelmente tinha sido testemunha de um assassinato mais eu fui testemunha de algo que nunca soube explicar.

Bem vou terminar por aqui, tenho medo do céu ate hoje e quero que em meu caxão vá pedra bem pesada sobre meio peito para mesmo que meu corpo tente se soltar depois de minha morte a caixa embaixo da terra esteja tão pesada que não possa se mover nem um centímetro, Era a prima dele que ia me visitar no hospital que me viu sair de lá e que casou comigo e comigo teve cinco filhos, obrigado minha querida.

Para Ícaro fica a pergunta; se seu corpo voltou a terra se arrebentando em alguma parte do oceano, floresta ou montanha, ou se na verdade ainda esta caído e caído e caído........ olhe para céu agora e me diga se ele não parece um grande buraco onde a qualquer momento você pode cair?

08/08/2010

Ode ao egoísmo

As sementes infrutíferas apodrecem sob nossos pés,

Mas ainda ouço as preces regadas à esperança,

Ainda vejo as mãos secas e trêmulas que ao seu modo,

Suplica aos céus, ignorando o solo.


Nosso gado é fraco, e tão doente quanto as almas,

Que condenamos por não estarem em nossas casas.

A terra pútrida fede a rancor, e me faz pensar no amor,

Que em tempos passados pude ter semeado.


Ode ao criador que nos deu o egoísmo,

Pois nele encontramos nossa santa semelhança,

Ode ao criador que nos trouxe esperança,

Pois com ela nos armamos, para a guerra de nossos filhos.


Aos irmãos que partilham deste antro de benevolências,

Farei a privação da experiência única,

Que é ver com olhos abertos como são reais,

Nossos campos mortos, que deixaremos á prole